Como um composto de pneus pode decidir uma corrida?

A Formula 1 é um esporte em que qualquer detalhe faz a diferença, até 2006 as equipes podiam escolher qual o composto de pneus que iriam usar durante o fim de semana, os times tinham os compostos a sua disposição e poderiam livremente usar qualquer um deles durante o fim de semana.

Em 2007 essa regra mudou, desde então as equipes têm 2 tipos (compostos) de pneus, geralmente com uma diferença grande entre o nivel de rigidez de cada um, exemplo:

Existem pneus do tipo 1, 2, 3 e 4, sendo 1 o composto mais macio e 4 o composto mais duro, o nivel mais macio é escolhido de acordo com o tipo de pista e a temperatura, se o composto 1 for escolhido como “macio” (ou prime) o composto 3 será o “duro” (ou option) em caso de escolha do tipo 2 como “macio”, o composto 4 será o “duro”.

Entendido o parágrafo a cima explicarei a regra de 2007: de acordo com o regulamento cada piloto tem que usar os dois compostos de pneus durante a corrida, mesmo que por uma volta. Os pneus serão diferenciados por uma identificação impressa nos pneus macios, assim todos os espectadores saberiam qual composto cada piloto está usando, em caso de chuva essa regra entra em nulidade. 

Pneus Macios em 2007

Acima os pneus macios em 2007, com a faixa de identificação.

Pneus duros, sem marcação alguma.

Em 2010 essa regra teve algumas modificações (inclusive a volta dos pneus slicks em 2009), além de usar ambos os tipos de pneu, as equipes tem um numero mais limitado de pneus a disposição (visando economia) e os pilotos que vão para o Q3 são obrigados a usar exatamente os mesmos pneus que terminaram o treino classificatório. Além disso as marcações foram modificadas:

Acima, os pneus macios de 2010, com a faixa verde, ao fundo da imagem o pneu para chuva forte também leva uma marcação especial desde 2007 para diferenciação do pneu intermediário (prometo explicar o funcionamento dos pneus de chuva em um próximo post).

Explicadas as regras. É hora de entrar de fato no tema: “Como um composto de pneus pode decidir uma corrida?”

Admitindo que existem 2 compostos, sendo um duro e um macio, e cada equipe é obrigada a usar os 2 tipos na corrida, vou colocar aqui os prós e contras de cada composto de pneu.

Geralmente tidos como “opção” os pneus duros tem uma menor eficiência instantânea, justamente por serem feitos com um composto de borracha mais duro o pneu duro demora mais tempo do que o pneu macio para atingir a temperatura ideal de trabalho, além disso o pneu duro dilata menos em relação ao macio, logicamente, pelo fato da maior resistência do material à temperatura, dilatando mais, o pneu macio tem uma área de contato com o solo maior do que o pneu duro, isso gera mais aderência, a diferença de tempo entre o mesmo carro usando pneus macios e duros chega a ser de 1 segundo por volta em favor do pneu macio.

Depois de ler tudo isso você diria: “Só existem vantagens em se usar um pneu macio, essa regra dos compostos foi criada para desequilibrar os carros em um certo momento da corrida em que um estivesse de pneus macios e outro com duros, ganha quem der mais voltas com o pneu macio”.

Até certo ponto isso é verdade, até 2009 quando os carros largavam leves e podiam reabastecer durante a corrida, os pneus macios tinham que resistir entre 15 e 18 voltas, porém hoje em dia com o reabastecimento proibido, leva vantagem quem tiver menos desgaste de pneus, isso faz com que o piloto entre no box uma quantidade menor de vezes, agora um pneu macio chega a dar o dobro de voltas na pista. Ai entra em cena a grande vantagem do pneu duro em relação ao macio, justamente por ser feito com um composto mais duro e ter toda a resistencia a temperatura que foi citada a cima, os pneus duros apresentam uma durabilidade muito maior que os macios o que hoje em dia é fator determinante para ganhar uma corrida.

O grande desafio das equipes é equilibrar a balança entre o alto desempenho a curto prazo do pneu macio e a longevidade do pneu duro, os carros estão parando nos boxes cada vez menos, Jenson Button por exemplo aproveitou a trégua da chuva na Austrália e entrou nos boxes para colocar seus pneus macios para pista seca, esses pneus “duraram” (obviamente terminaram a corrida totalmente destruidos) por mais de 50 voltas e acabou ganhando a corrida. Possivelmente se Button tivesse alguém com pneus duros o atacando, ele teria perdido a posição pois os pneus macios estavam destruidos e os pneus duros que a principio seriam mais lentos estariam muito mais conservados o que iria gerar a uma maior aderência, o que no fim da corrida com todo o resto do equipamento desgastado faz a diferença, essa diferença é a diferença entre ter ou não ter tração na saída de uma curva ou frear alguns metros antes ou depois, o que para um esporte tão milimétrico como a Formula 1 faz toda a diferença.

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