No que a nova regra do fluxo de ar nos difusores mudará o equilíbrio entre as equipes da Fórmula 1?

Olá pessoal,

Muito vem sendo dito a respeito da nova regra que torna ilegal o direcionamento do fluxo de gases de saída do motor para os difusores. Todo mundo sabe que isso nada mais é do que uma medida para conter o avanço da Red Bull, que vem dominando a temporada.

O sistema é bem simples, desde o começo do ano algumas equipes inovaram no posicionamento do escapamento do motor, caso o leitor não tenha conhecimento do assunto dê uma olhada no post do começo da temporada aqui. Pouca gente sabe, mas o escapamento de um carro de corrida, principalmente o de um Fórmula 1, libera um fluxo de gases muito alto.

Os engenheiros então tiveram a ideia de canalizar o fluxo de gases do escapamento (que saem com uma temperatura muito alta) pelo difusor e direcioná-lo para a asa traseira, aumentando assim a pressão aerodinâmica. Repare na foto abaixo o escape do motor da Red Bull.

Escapamento do modelo 2011 da Red Bull

Até então tudo bem, todas as equipes possuíam o sistema, a Red Bull porém tem um grande diferencial que eu vou explicar agora.

Nos carros de Fórmula 1 é super comum que até o próprio piloto faça ajustes no comportamento do carro, isso inclui mapas de combustível, de rotação do motor e o comportamento de alguns sensores.

Mas o que são esses mapas e como eles são úteis para a performance do carro?

Nós chamamos de mapas as configurações do funcionamento de algum equipamento do veículo, o funcionamento mecânico do componente é totalmente “mapeado” eletronicamente, tornando possível que haja um controle muito preciso do funcionamento do componente que é mapeado, quando o engenheiro constrói um mapa de motor por exemplo, ele coleta informações do funcionamento do motor via telemetria e “molda” o comportamento do motor de acordo com a necessidade, por exemplo, quando o piloto está liderando a corrida com folgas, a equipe pode pedir a ele que troque o mapa do motor para um que consuma menos gasolina, ou que opere em uma faixa rotação mais baixa, fazendo com que ele poupe equipamento, ou ao contrário,  caso o piloto precise de potência extra para ganhar uma posição, ele pode mudar para um mapa mais “agressivo”, que vai proporcionar mais potência, porém vai diminuir a vida útil do motor, além de aumentar o consumo de combustível.

Exemplo de mapa de funcionamento do motor

Os pilotos possuem vários desses mapas salvos no voltante, prontos para uma mudança rápida de  configuração caso necessário.

A grande sacada dos engenheiros da Red Bull foi o fato de eles conseguirem elaborar um mapa especial para o motor, nesse mapa, mesmo com o piloto freando o carro, o motor continua com 2 dos 8 cilindros funcionando como se o carro estivesse acelerando, isso faz com que na freada ainda haja um fluxo exorbitante de ar pelo difusor, isso ocorre justamente na hora em que o carro mais precisa pelo seguinte motivo: se fosse necessário que o piloto estivesse acelerando o sistema só funcionaria nas curvas de alta, como o motor continua acelerado mesmo na freada, o carro ganha uma aderência considerável nas curvas de baixa e de média.

Agora a pergunta que o leitor deve estar se fazendo é: “Mas por que as outras equipes também não criam mapas similares ao da Red Bull para tentar ter o mesmo desempenho?”

A resposta é simples: Obviamente se fosse simples, as outras equipes teriam feito, mas o estudo desses mapas e muito complexo (não é pessoal da aula de sistemas automotivos?? rsrsrs).

A FIA tomou uma decisão que na minha opinião é absolutamente correta…

A Red Bull usava o tal mapa especial somente nos treinos classificatórios, o fato do motor se manter acelerado mesmo com o carro freando danifica gravemente o equipamento, tornando impossível que o carro complete uma corrida nesse ritmo. A FIA então decidiu proibir que se troque o mapa de motor entre a corrida e o treino, fato que muita gente achou que foi uma medida para frear a Red Bull, sim… de fato foi isso. mas o regulamento prevê que depois do treino classificatório o carro fica em regime de parque fechado, tornando impossível qualquer modificação no mesmo e por tanto volto a dizer que a decisão da FIA foi correta.

De acordo com a nova regra, as equipes não podem mas ter uma configuração de mapa especial para a classificação, caso a equipe queira trocar o mapa de motor, isso deve ser feito durante o pit stop, já na corrida. Isso também é uma forma de evitar que as equipes troquem o mapa de motor também durante a corrida, uma vez que em uma parada de 3 ou 4 segundos (6 ou 7 no caso da Ferrari não é?), plugar um computador no carro e reconfigurar o mapa de motor seria uma perda de tempo muito grande. Vale lembrar que o piloto continuará tendo no volante o ajuste das faixas de rotação do motor caso precise economizar combustível ou atacar um adversário.

Além disso, a partir do GP de Silverstone está proibido o fluxo excessivo de gases do motor para o difusor quando o carro estiver freando. Especula-se que o carro da Reb Bull perderá por volta de 8 décimos de segundo, eu particularmente duvido que isso seja verdade, pelo fato de 8 décimos de segundo serem uma diferença muito grande, maior até do que a diferença que há entre a Red Bull e os outros carros.

Bom pessoal,

Espero que tenham compreendido como funciona o sistema de fluxo de gases pelo difusor e como a nova restrição afetará as esquipes daqui para frente.

Um abraço a todos,

Rafael Basilio

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